Mossoró 06 de Abril de 2020 08:45h
Cultura

RAPentista de Mossoró vence etapa do slam poetry em Portugal

Carlos Guerra Júnior, o Mossoró, ganhou o evento de spoken word (poesia falada) em Almada, na região metropolitana de Lisboa

19 de Março de 2017 - 09:23hs

O RAPentista Mossoró foi o vencedor de um concurso spoken word, uma espécie de poesia falada, neste sábado (19) em Portugal. O artista venceu a 25ª edição do Slam da Margem Sul, que aconteceu na cidade de Almada, cidade localizada na região metropolitana de Lisboa. Mossoró é o nome artístico de Carlos Guerra Júnior, que também é jornalista e doutorando em Ciências da Comunicação.


O Slam da Margem Sul integra o concurso do Slam Portugal, que é atualmente um dos principais prêmios de spoken word do país e o vencedor representa Portugal em várias partes do mundo. No Slam Poetry, só é permitido textos autorais, podendo atrair o público somente com o microfone, sendo proibido a utilização de instrumentos musicais.


Mossoró apresentou um conceito não habitual de poesia. Trata-se do RAPente, que é a mistura da música rap com o repente, atraindo o público pela rima feita em um sotaque diferente do habitual.


“Eu bebo das fontes do rap e do repente, para fazer a minha arte. Acabo não sendo nenhum dos dois em sua essência, mas apresento um conceito novo, para o público aqui na Europa. O sotaque do Nordeste chama a atenção do público e muitas vezes eu improviso, falando sobre coisas que estão acontecendo na hora”, ressaltou Mossoró.


O evento acontecia em três etapas. Mossoró apresentou os RAPentes “Alienação” e “Loucura” nas fases iniciais e arriscou um improviso no final. “Minhas letras sempre têm muito ironia. Como eu faço doutorado, vejo uma disputa de ego no meio acadêmico. Então, enquanto o pessoa fala que está se tornando intelectual. Eu digo que crio a minha alienação, porque para se dedicar a aprender algo, você abre automaticamente mão de outras. Já a loucura é uma ironia pelo fato de eu ser tido taxado de louco, por muito tempo, por apresentar uma visão diferente das coisas. Então, eu coloco que a loucura é a possibilidade de imaginar algo diferente em um sistema de iguais”, comentou.


Quanto ao improviso no final, o RAPentista coloca que fez valer o nome de Mossoró e falou sobre as coisas do Nordeste. “Eu falei de luta, de identidade cultural e do quanto é difícil sair do interior do Nordeste e consegui algum destaque fora. Falei que aprendi a fazer rima com meu bisavô e que quando trabalhava na televisão queriam que eu suavizasse o sotaque. Ai eu disse que o que feio virou resgate de identidade”, complementou o RAPentista.


Mossoró comenta que ainda cantou ao lado do Inquérito e do rapper Hertz do Gíria Vermelha em praça pública em Lisboa na tarde do sábado (18). “O Renan, líder do Inquérito, está morando um tempo em Coimbra, onde vivo e já viemos juntos para apresentar o trabalho. Mas a oportunidade de cantar com o Hertz surgiu na hora. Como ele veio sem o grupo, pediu para eu cantar o refrão com ele. E era uma letra que já tinha levado duas vezes para a sala de aula. Então, foi muito emocionante”, disse Mossoró.

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