Mossoró 18 de Janeiro de 2019 21:57h
Educação

Tecnologia a serviço da educação

Possibilidades da robótica estão inseridas no contexto educacional de Mossoró

16 de Outubro de 2018 - 09:48hs

Fotos: Marcelo Bento 

Da Redação*

As possibilidades da robótica estão inseridas no contexto educacional de Mossoró. A tecnologia torna o ambiente educacional mais lúdico e também funciona como plataforma para disciplinas tradicionais da grade curricular. A robótica tem possibilitado experiências para alunos das redes pública e privada da cidade, inclusive com conquistas importantes.

Em uma tradicional escola privada de Mossoró, a robótica é inserida no processo de aprendizagem já a partir do ensino infantil e se estende até a 1ª série do ensino médio. O coordenador Rodolfo Costa, que é um dos professores de robótica dessa unidade escolar, classifica a robótica como uma metodologia ativa de ensino que facilita o entendimento dos conteúdos de disciplinas que compõem a grade curricular.

“A robótica estimula o pensamento computacional e a lógica de programação, fatores que auxiliam na lógica da matemática que é vista em sala de aula. Aqui na escola, nos primeiros anos do ensino fundamental, a robótica é associada aos conteúdos de múltiplas disciplinas, como matemática, ciência e geografia. Já, no ensino médio, ampliamos a inserção dos conceitos da física nas atividades”, explica.

No âmbito da robótica, a matemática está vinculada ao raciocínio lógico e a física, à parte mecânica. O processo de montagem é outra etapa dessa prática educacional e tecnológica.

 “A presença da tecnologia na educação mundial é crescente. A robótica, por exemplo, mostra a aplicabilidade da matemática e da física e possibilita o significado da informação. A inserção da robótica no contexto educacional tem ainda a capacidade de fomentar o trabalho em equipe. Por vezes, muitos comentam que a tecnologia distancia as pessoas, mas a robótica tem o potencial de aproximá-las”, declara Rodolfo, pontuando que, na escola em que atua, estimula-se o trabalho em equipe, inclusive alterando-se a composição de grupos de estudantes, visando à convivência com a diversidade de personalidades e opiniões.

A argumentação de Rodolfo é confirmada pela professora da mesma escola Roberta Silva, responsável por uma turma de 3° ano do ensino fundamental. “Considero a robótica uma proposta lúdica aplicada paralelamente ao conteúdo da sala de aula. A robótica possibilita que trabalhemos o cognitivo e o desenvolvimento de atividades em grupo, oportunizando também aos estudantes que lidem com opiniões divergentes”, diz.

KITS

Os kits de robótica disponibilizados por essa escola da rede particular se adaptam à faixa etária dos alunos. Na turma do 3° ano coordenada pela professora Roberta, aparelhos tablets são utilizados para efetivar a programação dos robôs. Os grupos de estudantes contam também com livros que associam os conteúdos das disciplinas com a montagem desses robôs.

O estudante David Luís, 8 anos, faz parte da turma da professora Roberta. Para ele, as aulas de robótica são divertidas e possibilitam contato com a tecnologia. “Participar de aulas com robôs é divertido, aprendo a mexer em tecnologia avançada. Durante as aulas, gosto de programar os robôs”, conta o aluno, afirmando também que conseguiu “descobrir novas coisas com maior rapidez” em razão das atividades de robótica.

Integrante da mesma turma, Maria Fernanda, 9 anos, é mais uma aluna que aprecia as aulas de robótica. “Gosto de trabalhar com a robótica. Também gosto das aulas porque tenho a oportunidade de trabalhar em conjunto com os meus colegas de classe”, diz.

CONQUISTAS

A escola já participou do First Lego Legue (FLL) e da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). Em 2015, a unidade de ensino ficou em 9° lugar na disputa nacional da OBR e foi campeã no nível 1 (6° ao 9° ano do ensino fundamental) na etapa estadual da competição. Em 2016, a escola conquistou os 1° e 2° lugares no nível 1 da disputa estadual da olimpíada. Em 2017, os dois primeiros lugares foram novamente alcançados. Porém, os resultados nessa disputa foram ampliados, visto que a unidade de ensino foi campeã no nível 2 (ensino médio e técnico). As conquistas desse ano também se estenderam à disputa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica. A equipe da escola galgou o primeiro lugar no nível 1 da OBR, durante a competição que reuniu 16 unidades de ensino de várias cidades do país. Em setembro deste ano, a escola se destacou novamente. Foi campeã nos níveis 1 e 2 da etapa estadual da OBR.

“A competição simula um ambiente hostil no qual o ser humano não pode ter acesso e o robô deve seguir um percurso disposto por uma linha preta com obstáculos que atrapalham a trajetória dele pelo caminho correto. O robô funciona apenas com a programação criada pelos alunos. Após concluir o percurso da linha, o robô deve salvar as vítimas (bolas de isopor cobertas por papel-alumínio) e levá-las a um local de resgate, identificado por um triângulo preto em uma parte da arena”, explica o professor Rodolfo Costa.

REDE MUNICIPAL

Atualmente, o Município de Mossoró trabalha com dois projetos na área de robótica educacional. O primeiro consiste em um projeto de extensão com foco na inclusão digital, por meio da robótica educacional, em escolas públicas da cidade. Esse projeto é conduzido pelo professor Sílvio Roberto, da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), com apoio de seis estagiários bolsistas da instituição e outros três estagiários pagos pela Prefeitura. Neste ano, esse projeto contempla seis escolas da rede municipal.

“O outro trabalho desenvolvido denomina-se Projeto Robótica Educacional, adquirido pela Prefeitura Municipal de Mossoró junto à Pete, empresa fabricante de kits de robótica sediada na cidade de São Carlos (SP). Vinte e nove escolas foram contempladas por esse projeto”, explica Afonso Magnus, supervisor pedagógico da Secretaria Municipal de Educação.

Afonso acrescenta que, para o desenvolvimento desse projeto, em 2016 iniciou-se a distribuição de kits de robótica entre as escolas. Porém, nem todas as unidades contempladas já aplicam esse instrumento no processo de aprendizagem.

 “Em algumas escolas, há experiência em salas de aulas, e em outras, nos laboratórios de informática. Com a aquisição dos equipamentos, foi também contemplada uma capacitação técnica e pedagógica para o ambiente de robótica. Constatamos que as escolas que garantiram a participação de seus professores, de acordo com as vagas oferecidas e de forma exitosa na capacitação, conseguiram iniciar o processo de aprendizagem, utilizando os kits recebidos através da Secretaria Municipal de Educação”, pontua.

Na Escola Municipal Senador Duarte Filho, dois instrutores da Ufersa promovem atividades de robótica para 20 alunos procedentes do 6° ao 9° ano do ensino fundamental. Em 2017, oito estudantes da unidade de ensino se classificaram para a etapa estadual da First Lego Legue. Desse total, apenas dois participaram da disputa, em razão da restrição de verbas e porque alguns alunos classificados já não mais integravam a escola durante o período da competição. Na oportunidade, a unidade de ensino recebeu o prêmio superação.

Walkerlan da Silva, estudante de Ciência e Tecnologia da Ufersa, é um dos instrutores das atividades de robótica. Ele explica que, durante as atividades, são difundidos conhecimentos voltados a preparar os alunos para as competições de robótica. “Durante as aulas, aplicamos fundamentos da matemática, ensinamos processos de programação vinculados aos sensores e explicamos como efetivar o funcionamento dos robôs”, diz.

“Por meio das atividades da robótica, conseguimos fixar assuntos de sala de aula, uma vez que aplicamos fundamentos de disciplinas da grade curricular”, destaca Anderson Matheus, também instrutor de robótica na Escola Municipal Senador Duarte Filho.

Gustavo dos Santos, 14 anos, aluno do 9° ano na unidade de ensino, participou da etapa nacional da FLL em Curitiba (PR) no ano passado. Ele enfatiza que a participação na disputa nacional foi marcante. “Foi uma das melhores experiências da minha vida. Viajei de avião, conheci pessoas de outros estados e pude observar projetos diversos que integravam a competição”, declara.

*Reportagem publicada na edição de setembro da Revista Acontece 

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