Mossoró 21 de Setembro de 2019 06:17h
Dicas Jurídicas

VIOLÊNCIA DOMESTICA E O MONITORAMENTO ELETRÔNICO

No dia 07 de agosto de 2006, foi introduzida em nossa legislação a lei 11.340/2006, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha.

16 de Junho de 2019 - 08:02hs

Após anos de dedicação, travando verdadeiras guerras, ao custo de suor e lagrimas derramada. No dia 07 de agosto de 2006, foi introduzida em nossa legislação a lei 11.340/2006, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha.

A supracitada lei busca coibir a violência domestica e familiar contra a mulher, dentro do texto legal, encontramos o tópico que trata das medidas protetivas de urgência que obrigam o agressor a seguir o que é imposto pelo Estado, é salutar lembrar que ao chegar o pedido da ofendida o magistrado tem um prazo de 48 horas para decidir sobre a medida protetiva de urgência.

Ao verificar a existência de violência domestica e familiar contra a mulher, o magistrado deve aplicar em conjunto ou separadamente as medidas prevista dentro do artigo 22 da lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) que são as seguintes: I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da  Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003; II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida; IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios.

Como fiscalizar?

De 2006 até 2011, era quase impossível fiscalizar se o agressor estava cumprindo ou não às medidas protetivas de urgência a ele imposta.

Felizmente no ano de 2011 foi editada a lei 12.403/20011, que acrescentou o artigo 319 (medidas cautelares diferente da prisão), a principio esse instituto busca na medida do possível substituir a prisão preventiva (que é a exceção) e ao mesmo tempo usando o GPS monitora o passo a passo do individuo. 

Qual a relação do monitoramento eletrônico com a Violência domestica?

Em alguns casos o magistrado determina que o agressor fique a uma distancia mínima da vitima, mas infelizmente a lei 11.340/06, não tinha como fiscalizar.

Durante o encontro do VIII FONAVID – BH - foi editado o enunciado 36, que tem a seguinte redação: “ Poderá ser utilizado mecanismo compulsório de controle eletrônico em desfavor do agressor para garantia do cumprimento das medidas protetivas de urgência.” Com o controle eletrônico a central de monitoramento tem como registrar efetivamente o descumprimento da mediada imposta.

Felizmente essa corrente vem ganhando força, sempre observando que o monitoramento não deve ser utilizado quando existir o risco mínimo de morte, neste caso deve-se utilizar o instituto da prisão preventiva (art. 312 CPP).
O que é Monitoramento eletrônico?

O monitoramento é realizado por meio do GPS (Global Positioning System), atualmente no Brasil temos o sistema de tornozeleira, o equipamento envia informações em tempo real para uma central de monitoramento que pode ficar em qualquer lugar.

Caso o usuário do equipamento venha a ultrapassar o perímetro determinado pela justiça ou venha a romper o equipamento, a central de monitoramento toma conhecimento em tempo real.

Caso o agressor venha a descumprir a medida protetiva de urgência imposta?

Caso o agressor venha a descumprir a medida protetiva de urgência ( com monitoramento fica mais fácil comprovar o descumprimento) , poderá sofre detenção de 3 meses a 2 anos, conforme determina a redação do artigo 24 – A, previsto na lei 11.340/2006.

Finalizo este pequeno artigo com uma frase da Sra. Maria da Penha Maia Fernandes: “A principal finalidade da lei não punir os homens. É prevenir e proteger as mulheres da violência.”


Dr. JOÃO PAULO SARAIVA
Advogado
NÚCLEO PENAL DO ESCRITÓRIO SARAIVA & SOARES ADVOGADOS ASSOCIADOS
Instagram: jpaulosaraiva.adv
Twitter: @J_paulosaraiva

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