O cenário político para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte permanece indefinido e marcado por incertezas. Até o momento, o que se vê são movimentações preliminares, declarações informais e lideranças que sinalizam possíveis candidaturas, mas sem confirmações oficiais ou projetos claros apresentados à sociedade.
No campo governista, o PT enfrenta um momento de forte desgaste. A governadora Fátima Bezerra chega ao fim de seu segundo mandato com baixa força política, dificuldades de articulação e um governo avaliado como travado. As críticas se acumulam em praticamente todos os setores: educação, saúde, economia e, de forma ainda mais sensível, a segurança pública. Após dois mandatos consecutivos, a percepção predominante é de que o estado não apresentou avanços estruturais relevantes.
Há também uma leitura recorrente de que o Governo do RN foi deixado em segundo plano diante de um projeto político voltado à disputa por uma vaga no Senado. Para críticos da gestão, as decisões foram mais orientadas por interesses eleitorais do que pelo atendimento às demandas da população. Diante desse cenário, a oposição enxerga grandes chances de vitória em 2026, mesmo sabendo que herdará um estado fragilizado, descrito por muitos como uma verdadeira “bomba-relógio”.
No campo da oposição, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), vem se movimentando de forma estratégica para estruturar sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Nos bastidores, a expectativa é que ele renuncie ao cargo de prefeito no mês de fevereiro. Allyson articula alianças importantes, dialogando com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, e com o vice-governador Walter Alves, que já sinalizou que não pretende assumir o comando do Executivo estadual. O prefeito mossoroense já conta com o apoio de alguns partidos, entre eles o PP, liderado por João Maia, que pode indicar o nome do vice na composição da chapa.
No entanto, o apoio de Walter Alves ainda está em aberto. A permanência de seu grupo político na presidência da Assembleia Legislativa é uma variável central nesse processo, o que torna seu posicionamento estratégico e acessível a negociações com diferentes campos políticos. Esse fator mantém o jogo político equilibrado e aberto para ambos os lados.
Já a direita mais conservadora, de perfil bolsonarista, adota uma postura de cautela. A estratégia tem sido aguardar o momento político mais favorável para apresentar, de forma definitiva, quem será o nome que disputará o Governo do Estado. Entre as possibilidades discutidas nos bastidores está a de o senador Rogério Marinho (PL) integrar uma chapa nacional como vice de Flávio Bolsonaro, hipótese que segue sendo considerada por aliados. Caso isso se concretize, o cenário estadual tende a se reorganizar.
Nesse contexto, ganham força outros nomes da direita. O senador Styvenson Valentim desponta como um dos mais competitivos. Seu mandato é marcado por forte atuação no Rio Grande do Norte, com volume expressivo de obras e investimentos viabilizados — algo que muitos eleitores consideram inédito na história política recente do estado. O crédito político junto à sua base eleitoral permanece elevado, o que faz de Styvenson um nome forte para qualquer pleito majoritário. Outro nome citado é o do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, que também aparece como alternativa dentro do campo oposicionista.
O fato é que o eleitorado já demonstra um comportamento diferente. Há um movimento crescente de pessoas que desejam se comprometer desde cedo com quem irão apoiar, acompanhando de perto os bastidores e as articulações políticas. O eleitor de 2026 tende a ser mais atento, crítico e menos tolerante a promessas vazias ou projetos construídos apenas em torno da disputa pelo poder.
Por enquanto, o cenário segue em aberto. Ainda não há definições oficiais, e as negociações seguem intensas. O desenho final desse embate político ainda será construído e, até lá, há muita água para rolar no tabuleiro político do Rio Grande do Norte.
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