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Audiência pública alerta para impactos sociais e econômicos do fechamento de agências bancárias

A Câmara Municipal de Mossoró realizou, nesta quinta-feira (24), audiência pública para discutir os impactos do fechamento de agências bancárias no município. Proposto pela vereadora Marleide Cunha (PT), o debate reuniu representantes de trabalhadores, entidades da sociedade civil e do poder público para discutir as consequências da redução do atendimento bancário presencial.

Na abertura da audiência, Marleide Cunha esclareceu que o debate não tinha relação com a greve dos bancários, mas com o processo de fechamento de agências físicas e seus reflexos para a população. “Estamos discutindo o fechamento do atendimento presencial e o impacto enorme que isso provoca na vida da população, principalmente das pessoas mais vulneráveis, aposentados, idosos, pessoas com deficiência e pessoas que ainda vivem uma situação de exclusão digital”, afirmou.

A vereadora também chamou atenção para a responsabilidade social das instituições financeiras diante da ampliação dos serviços exclusivamente digitais. “Se o atendimento presencial é fechado, como uma pessoa idosa, um aposentado ou alguém que não tem acesso à tecnologia vai resolver seus problemas? Muitas vezes, essa pessoa precisa recorrer a terceiros e acaba ficando ainda mais vulnerável a golpes e fraudes”, destacou.

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Um dos principais pontos discutidos foi o anúncio do fechamento de uma agência do Banco Itaú localizada na avenida Augusto Severo, no Centro de Mossoró. O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários em Mossoró, Assis Neto, apresentou dados sobre a unidade. Segundo ele, a agência possui nove funcionários e cerca de 30 mil clientes, além de registrar aproximadamente 300 atendimentos presenciais por dia. Os clientes deverão ser direcionados para outra unidade do banco na cidade, que atualmente conta com 12 funcionários e aproximadamente 25 mil clientes. “Estamos falando de uma agência ampla, que atende bem à população, possui cerca de 30 mil clientes e nunca deu prejuízo. A preocupação não é apenas com os bancários, mas com toda a população e também com os demais trabalhadores que dependem do funcionamento daquela unidade”, disse Assis Neto.

Durante o debate, os participantes ressaltaram que o fechamento de uma agência bancária produz impactos que vão além da redução dos postos de trabalho dentro das instituições financeiras. A medida pode afetar vigilantes, trabalhadores de serviços gerais e outras atividades ligadas direta ou indiretamente ao funcionamento das unidades, além de provocar reflexos sobre o comércio e os serviços localizados no entorno.

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Outro ponto destacado foi a dificuldade enfrentada por parte da população para utilizar serviços bancários exclusivamente digitais. Pessoas sem acesso à internet ou smartphone, além de idosos e usuários com pouca familiaridade com ferramentas tecnológicas, podem enfrentar maiores obstáculos para realizar operações financeiras e resolver problemas relacionados às suas contas.

Ficou definido, pelos participantes da audiência, a elaboração de uma carta conjunta, que será encaminhada às direções das instituições financeiras. O documento deverá reunir sindicatos, representantes da sociedade civil e demais entidades em defesa da manutenção do atendimento bancário presencial em Mossoró. A mobilização busca unir diferentes segmentos da sociedade para evitar novos fechamentos de agências, preservar empregos e defender que o acesso aos serviços bancários não fique condicionado à posse de equipamentos eletrônicos ou ao domínio de tecnologias digitais. Os participantes também defenderam que as instituições financeiras considerem os impactos sociais e econômicos provocados pelo encerramento das atividades presenciais e reforçaram a necessidade de responsabilidade social por parte dos bancos nas decisões que afetam trabalhadores, clientes e a economia do município.

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