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Diretor do SENAI-RN aborda desafios da descarbonização e oportunidades profissionais em palestra na UFRN

Diretor do SENAI-RN aborda desafios da descarbonização e oportunidades profissionais em palestra na UFRN
Rodrigo Mello destacou a necessidade de engenheiros e engenheiras preparados para atender às novas demandas do setor produtivo

As perspectivas que a descarbonização abre para a indústria brasileira e o mercado de trabalho foram discutidas pelo diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, com estudantes de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na última sexta-feira (16).

Na apresentação “Economia da descarbonização – desafios e oportunidades para o Brasil nos horizontes 2030 e 2040”, Mello abordou políticas nacionais de transformação industrial, tecnologias emergentes e a necessidade de profissionais preparados para atender às novas demandas do setor produtivo.

“Faltam competências em novas tecnologias. A gente precisa gerar muito mais gente com esse conhecimento, para atender ao mercado”, afirmou, ao apontar a qualificação profissional entre os desafios da transição energética e do desenvolvimento de novas atividades industriais.

A apresentação foi mediada pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UFRN Afonso Avelino Dantas Neto, diretor regional do SENAI-RN entre 2012 e 2014.

Oportunidades

Na ocasião, Mello abordou políticas nacionais voltadas à transformação econômica e industrial e destacou oportunidades para os próximos anos, incluindo eficiência energética, eletrificação e expansão da infraestrutura necessária à transição, com investimentos em transmissão de energia, armazenamento em baterias e gestão da demanda, que ampliam o mercado para serviços especializados e profissionais de engenharia. A bioenergia e a produção circular também estão entre as frentes de desenvolvimento.

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Para 2040, o diretor apontou perspectivas para a produção de aço, cimento e fertilizantes de baixo carbono, com o uso de tecnologias como eletrificação, hidrogênio e captura seletiva de carbono. Equipamentos, materiais para baterias, reciclagem e certificação, segundo ele, também podem ampliar o valor agregado da produção nacional. A bioeconomia e a restauração também foram elencadas como oportunidades. 

Do ponto de vista do mercado de trabalho, a captura e o armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês), bem como a produção de combustíveis avançados, especialmente para a aviação e a navegação marítima, foram apresentadas entre as áreas com perspectivas de desenvolvimento e demanda por profissionais de Engenharia.

“Se você quer trabalhar com CCS, precisa saber o que está acontecendo com essa tecnologia no mundo. O conhecimento está cada vez mais acessível, e temos tecnologia de ponta no nosso estado. Mas é preciso fazer a diferença onde quer que ela esteja. Se for aqui em Natal, perto de casa, ótimo. Mas quem trabalha com engenharia trabalha onde houver demanda”, afirmou.

A energia eólica offshore, gerada por turbinas instaladas no mar, também foi citada como exemplo de atividade que exige novas competências profissionais. Ainda em estágio inicial no Brasil, o segmento demanda formação e certificações específicas para o trabalho em ambiente marítimo.

Mello incentivou os estudantes a buscar estágios, desenvolver pesquisas em parceria com empresas e conhecer as demandas do setor produtivo. Além de acompanhar as mudanças tecnológicas, frisou ele, é preciso desenvolver competências alinhadas aos desafios concretos da indústria e às necessidades de cada empresa.

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“Desenvolva uma competência que o mercado precise. Essa responsabilidade não é da universidade, não é da graduação nem do curso de pós-graduação, é sua. Prepare-se para fazer algo relevante e bem-feito e para atender às expectativas do mercado em que você pretende atuar”, aconselhou.

A apresentação foi mediada pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UFRN Afonso Avelino Dantas Neto, diretor regional do SENAI-RN entre 2012 e 2014

O diretor recorreu à analogia de um sapateiro para explicar a importância de atenção às necessidades de quem contrata. “Quando for oferecer o seu serviço como engenheiro, procure entender a demanda. É como o sapateiro. A ‘providência um’ dele quando o cliente entra na loja é olhar para o pé desse cliente e saber qual o tamanho do pé: você precisa descobrir o que a empresa necessita, o tamanho do pé dela, e oferecer o serviço de que ela precisa, não apenas apresentar o que está no seu currículo. Estude antes de uma visita, procure entender a empresa e identifique como pode contribuir. Se você desenvolver uma competência de que o mercado precisa, será muito mais assertivo.”

A complementaridade entre diferentes áreas do conhecimento também foi destacada. “É interessante enxergar a complementaridade das engenharias e de outras profissões. No ISI-ER, temos geógrafos, biólogos, engenheiros civis, mecânicos, eletricistas, navais, oceanógrafos, economistas, administradores, técnicos… A diferença econômica no desenvolvimento industrial se faz com a soma de esforços. A vida como ela é não acontece em caixinhas: é todo mundo com a faca nos dentes e com o mesmo objetivo”, afirmou Mello.

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Experiência

O pesquisador do ISI-ER Giovanny Oliveira, que desenvolve pesquisas no Laboratório de Sustentabilidade do Instituto, incluindo sua tese de doutorado da UFRN sobre valorização de biomassas por meio da tecnologia de Recirculação Química, também participou do encontro e compartilhou sua trajetória entre a academia e o mercado. 

Ele ingressou no SENAI-RN como estagiário, em 2019, quando também desenvolvia atividades de iniciação científica. Depois, tornou-se bolsista, participou de diferentes projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) e hoje lidera um deles, na área de captura e armazenamento de carbono.

O pesquisador incentivou os estudantes a se aproximarem do mercado e irem em busca de experiências profissionais. “Busquem se aproximar das empresas, conhecer o que elas fazem e demonstrar interesse em seus processos e atividades. Procurem oportunidades de estágio, seja por três meses, seis meses ou um ano. É assim que vocês vão abrir espaço no mercado de trabalho. Não podemos apenas esperar que as indústrias venham até nós ou que alguém publique uma oportunidade no fórum de Engenharia Química. Também cabe a nós ir atrás e conhecer as indústrias e os processos que existem.”

Texto e fotos: Renata Moura