Dias Toffoli ao lado do amigo Alberto Leite, citado no relatório da PF sobre o caso Master (Foto: Reprodução)
Um relatório da Polícia Federal levanta a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, do STF, seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” de um fundo de investimentos que recebeu ao menos R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento foi revelado pela revista piauí.
O fundo Arleen era sócio do Tayayá, resort ligado a Toffoli e sua família, no Paraná. Depois de passar para o controle do empresário Alberto Leite, amigo do ministro, o fundo teve suas regras alteradas para permitir investimentos no exterior. Segundo a PF, cerca de R$ 34 milhões acabaram transferidos para a Egide I Holding, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal.

A investigação também encontrou mensagens que levantaram suspeitas sobre uma decisão de Toffoli em processo envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro. O Banco Master tinha mais de R$ 10 bilhões em ativos desse segmento e seria beneficiado pela tese que acabou prevalecendo no julgamento.
Antes da análise do caso, executivos do banco discutiram a necessidade de “se movimentar”. Vorcaro afirmou que acompanhava a situação “mais do que imagina” e escreveu: “Tô tratando aqui”. O julgamento foi adiado e, quando retomado, Toffoli votou pela tese favorável à usina. Após o resultado, um operador informou ao banqueiro: “Ganhamos Alcídia”. Vorcaro respondeu com um emoji de aprovação.
A própria PF ressalva que os elementos sobre o julgamento ainda não permitem conclusões definitivas e afirma que o caso precisaria de “aprofundamento analítico”. A reportagem aponta que novas diligências sobre esse episódio e sobre os recursos enviados às Ilhas Virgens Britânicas não foram realizadas.
O relatório também registra encontros, ligações e contatos frequentes entre Toffoli e Vorcaro. A PF identificou reuniões nas residências dos dois e 17 registros de chamadas de WhatsApp entre eles em um dos celulares apreendidos do banqueiro.
Toffoli nega as suspeitas. O gabinete afirma que o ministro jamais manteve recursos no exterior, nunca realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas e não recebeu valores de Vorcaro. Também nega relação de amizade ou intimidade com o banqueiro.
