Por trás de toda história existe uma dor escondida, uma razão que muitas vezes leva a escolhas erradas. O personagem desta história se chama Geneilson Pereira de Oliveira. Hoje ele é um homem respeitado na sua comunidade cristã, trabalha de forma autônoma, sendo capaz de manter seu sustento e pagar o aluguel onde mora com a esposa, a qual está casado há três meses. Mas antes de se tornar o homem que é hoje, Geneilson conheceu o fundo do poço por meio das drogas e da criminalidade. Mas, sua vida começou a mudar quando encontrou apoio no “Escritório Social”, equipamento da Prefeitura de Mossoró dirigido pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Cidadania e Juventude (Semasc).
“Eu vivi uma vida marginalizada, fui escravo do crack durante dez anos, e caí no Cárcere. Lá dentro, quando eu estava prestes a sair, recebi uma visita de um assistente social. Confesso que no começo não acreditei, mas quando saí da prisão vim até o ‘Escritório Social’ e me espantei com a receptividade da equipe, que me tratou muito bem, me incentivou e me ajudou correndo atrás de várias oportunidades de emprego. Aqui no ‘Escritório Social’ fiz cursos profissionalizantes no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), ‘Energias Renováveis’ e no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) aprendendo a fazer bolos, pães, pizzas e tortas., sempre com o acompanhamento da equipe. Às vezes pensei em desistir, mas elas não deixaram”, declarou.
Geneilson passou por grandes perdas na vida, que o fizeram entrar em depressão, e consequentemente foi a porta para o mundo das drogas. Ele também enfrentou a experiência de ser uma pessoa em situação de rua.
“Eu passei a ter depressão no começo da minha adolescência, quando perdi meu pai, aí passei a consumir álcool e um abismo foi chamando outro abismo como o cigarro, a prostituição e as drogas. Como costumo dizer, quando a sociedade rejeita, o crime abraça. Depois perdi minha mãe e, após três dias, uma filha que estava doente de câncer. Mergulhei novamente numa depressão terrível, passei um ano sem falar com ninguém, só usando drogas em casa e nesse período me envolvi com o crime. E para fugir desse crime eu fui parar nas ruas e passei uma média de 10 anos, foi quando conheci o crack, um vício terrível, cruel e desumano. Na prisão eu fiquei por 2 anos e 5 meses e saí por bom comportamento, mas com tornozeleira”, disse.
No “Escritório Social”, Geneilson teve a oportunidade de participar do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (ENEM PPL).
“A equipe me ligou para dizer que tinha feito minha inscrição do ENEM PPL, o que seria muito bom para mim, porque poderia me dar uma remissão da tornozeleira. Mas também decidi fazer porque era gratificante voltar à sala de aula. Não consegui entrar numa faculdade, mas ainda penso em fazer o curso de gastronomia, porque foi essa área que me tirou da ociosidade e das ruas”, enfatizou.
Após receber a capacitação por meio dos cursos oferecidos pelo “Escritório Social” e instituições parceiras, Geneilson se tornou um profissional no ramo da confeitaria.
“Hoje eu posso dizer que sou um confeiteiro, que eu aprendi com uma excelente profissional a Junara Santos, que me ensinou muito sobre confeitaria e que pretendo dar continuidade. Hoje estou casado e também posso dizer que sou comerciante, abri uma conta em banco e tenho maquininha de cartão, pontuou.
Da experiência de ter estado nas ruas, ficaram as lembranças de um tempo angustiante, mas também a convicção que determinação modifica o homem.
“Ficar nas ruas foi uma experiência terrível, mas eu venci, pois sempre tem uma válvula de escape, várias igrejas vão lá com donativos, com roupas e comida. Vários programas da Prefeitura que eu fui assistindo, dou nota 10, e parabenizo tanto a iniciativa dos gestores como os funcionários que vão com aquele dom, aquela vontade realmente de ajudar o próximo”, enfatizou.
Mudar de pensamento e ações requer garra e determinação, para trilhar um novo caminho. A Prefeitura de Mossoró, juntamente com instituições parceiras, tem oportunizado a pessoas em situação de rua ou que vivem na vulnerabilidade, uma chance de recomeçar. O incentivo foi dado, mas coube a Geneison avançar na caminhada colecionando sonhos e conquistas.
“Eu, Geneilson Pereira Oliveira, sou uma pessoa que já esteve em situação de rua, já teve marginalizado na vida de crimes. Mas ainda bem que Jesus, com a sua graça, a sua infinita misericórdia, me alcançou. Hoje eu sou um novo homem, estou liberto das drogas, não tenho mais dívida com a Justiça, meu processo foi extinto, cumpri minha pena, cumpri minha tornozeleira, cumpri o prazo que a juíza determinou. Hoje eu sou um homem casado, tenho minha esposa, meu lar e meu comércio. Sou um homem realizado, e agradeço, em primeiro lugar, a Deus, e em segundo a esse trabalho feito, realizado pela Prefeitura, junto com várias parcerias”, concluiu.