Search

Governo do RN aprova cota de 20% para empresas a partir de janeiro: entenda a medida e suas implicações

A partir de janeiro de 2025, as empresas do Rio Grande do Norte deverão pagar uma cota adicional de 20%, uma medida aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa do estado. A decisão foi tomada em uma votação marcada por controvérsias, que contou com dois votos de abstenção e ampla discussão entre parlamentares e representantes do setor produtivo.

De acordo com o Governo do Estado, a nova medida tem como objetivo principal aumentar a arrecadação estadual em um momento de desafios fiscais e orçamentários. Estima-se que o novo tributo trará um incremento significativo na receita estadual, destinado a áreas prioritárias como saúde, educação e infraestrutura.

Repercussão no setor empresarial

O anúncio da cota gerou preocupação entre empresários potiguares, que alegam já enfrentar uma alta carga tributária. Representantes da indústria, do comércio e do setor de serviços argumentam que a medida pode resultar em aumento de custos, redução de investimentos e, possivelmente, demissões.

“Estamos preocupados com o impacto dessa medida sobre a competitividade das empresas do estado, especialmente em um cenário onde a economia local ainda está se recuperando dos efeitos da pandemia e da inflação”, declarou Marcos Medeiros, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN).

LEIA TAMBÉM  Massai recebe prêmio do ranking INTEC como uma das 100 maiores construtoras do Brasil

Já a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RN) destacou a necessidade de diálogo. “Esperávamos que medidas de incentivo fossem priorizadas ao invés de aumento de custos para o setor produtivo”, afirmou José Lopes, representante da entidade.

Justificativa do Governo

Em nota, o Governo do Estado explicou que a criação da cota foi necessária para enfrentar o déficit fiscal que ameaça comprometer serviços essenciais. Segundo a governadora Fátima Bezerra, a decisão não foi fácil, mas se tornou inevitável diante das dificuldades econômicas.

“Estamos atuando com responsabilidade para garantir que o estado continue funcionando plenamente. Essa arrecadação será revertida para investimentos em áreas que impactam diretamente a população, como a ampliação de hospitais e melhorias na educação pública”, afirmou a governadora.

A divisão na Assembleia Legislativa

A aprovação da medida foi marcada por divisões. Dos parlamentares presentes, dois optaram pela abstenção, enquanto os demais se posicionaram a favor, argumentando que a medida é crucial para equilibrar as contas públicas.

Por outro lado, deputados da oposição criticaram a falta de diálogo com o setor produtivo e os possíveis impactos econômicos. “Estamos penalizando quem gera emprego e renda no estado”, afirmou o deputado Gustavo Carvalho.

LEIA TAMBÉM  Saúde na Praça aborda trânsito e enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes

Impactos previstos

Especialistas em economia avaliam que a medida pode trazer consequências mistas. Embora represente um alívio para os cofres públicos, ela pode gerar efeitos negativos, como a migração de empresas para estados vizinhos com cargas tributárias menores ou o fechamento de negócios locais, principalmente pequenas e médias empresas.

Próximos passos

O setor empresarial já articula ações para tentar reverter a medida. Entidades como a FIERN e a Fecomércio planejam se reunir com representantes do Governo do Estado e, se necessário, recorrer ao Poder Judiciário para questionar a constitucionalidade da cota.

Enquanto isso, a população do Rio Grande do Norte aguarda os desdobramentos dessa decisão e seus impactos no mercado de trabalho, nos preços de bens e serviços e na qualidade dos serviços públicos prometidos pelo governo.

Por Revista Acontece