Por Neide Carlos
Nas recentes eleições municipais, o Partido Liberal (PL) demonstrou sua força ao eleger 525 prefeitos em todo o Brasil, reforçando a presença da direita no cenário político nacional. O ex-presidente Jair Bolsonaro, articulando ativamente durante a campanha, percorreu o país com o objetivo de fortalecer candidaturas em cidades pequenas e médias, uma estratégia que se mostrou eficaz na ampliação da base de apoio para as eleições de 2026.
Bolsonaro percebeu que a esquerda tradicionalmente dominava espaços nas pequenas cidades, e foi justamente aí que a direita decidiu reagir. Um reflexo dessa estratégia foi observado nas eleições para conselheiro tutelar no ano passado, onde 70% dos eleitos eram ligados à direita. Agora, nas eleições municipais, essa tendência de crescimento se confirmou, ampliando a base de apoio conservadora em diversas regiões.
Um dos avanços mais marcantes foi a atuação do PL Mulher, liderado por Michelle Bolsonaro. Com uma atuação ativa à frente do movimento, a ex-primeira-dama conseguiu atrair uma legião de mulheres conservadoras para participar da política. Com sua popularidade crescente, Michelle já é cotada para disputar uma vaga ao Senado nas próximas eleições, sendo considerada uma das grandes apostas do PL.
No entanto, nem todos os momentos foram de unanimidade para a direita. A candidatura de Pablo Marçal, sem o apoio formal de Bolsonaro, trouxe uma divisão entre os conservadores. Marçal, mesmo sem o suporte do ex-presidente, obteve uma votação significativa, o que aponta para uma fragmentação que poderá ser um desafio nas próximas disputas. A falta de unidade em algumas regiões pode enfraquecer a direita, especialmente em grandes centros urbanos.
O Cenário no Rio Grande do Norte
O Rio Grande do Norte, tradicionalmente dominado pela esquerda, também registrou uma mudança significativa neste cenário. O estado, que não tinha prefeitos eleitos pela direita, agora conta com 18 gestores municipais ligados ao campo conservador. Essa mudança reflete uma reação do eleitorado e um reposicionamento estratégico da direita, que está de olho nas próximas eleições estaduais e federais.
O senador Rogério Marinho, uma das principais lideranças da direita no estado, já começa a articular alianças para 2026. Nomes como o senador Styvenson Valentim e Paulinho Freire, do União Brasil, estão entre os possíveis aliados. No entanto, um desafio significativo no horizonte é a popularidade do atual prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que possui carisma e grande aceitação popular, e deverá ser um adversário a ser considerado nas próximas disputas.
Desafios e Caminhos Futuros
Apesar das vitórias significativas, a direita brasileira ainda enfrenta desafios para consolidar sua base e garantir uma unidade mais forte entre suas diversas lideranças. Para as próximas eleições, será necessário não apenas fortalecer as alianças, mas também encontrar formas de lidar com divisões internas e superar figuras de oposição carismáticas e populares.
O PL segue fortalecendo sua posição no cenário nacional, mas como a política é dinâmica, será necessário “calçar a chinela da humanidade” e entender as necessidades da população, buscando um equilíbrio entre crescimento eleitoral e responsabilidade social.