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Diretora do CTGAS-ER participa, em São Paulo, de seminário sobre equidade racial, transição justa e empregos verdes

Diretora do CTGAS-ER participa, em São Paulo, de seminário sobre equidade racial, transição justa e empregos verdes

A diretora do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) do SENAI-RN, Amora Vieira, participou, nesta terça-feira (27), em São Paulo, do Seminário Equidade Racial, Transição Justa e Empregos Verdes, promovido pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS). Durante o evento, foram apresentados desafios e caminhos para a inclusão, permanência e progressão profissional de pessoas negras, jovens, mulheres e outros grupos da população em segmentos da economia ligados à transição energética.

“A participação do SENAI no evento foi motivada pelo papel que a instituição tem desempenhado na formação de profissionais para a indústria verde. Estivemos presentes com a perspectiva de entender as necessidades que existem nessa área, na visão das instituições participantes da discussão, para trocar experiências, absorver e entender novos dados de estudos voltados à empregabilidade, aos desafios e possibilidades futuras de empregos na indústria, e fazer uma conexão de como isso conversa com a nossa realidade de atuação”, diz a diretora.

A programação discutiu desafios e perspectivas dos empregos verdes no contexto da transição justa, com destaque para as relações entre trabalho digno, equidade racial, justiça climática e desenvolvimento territorial. Foram apresentados resultados de pesquisas sobre o mercado de trabalho, com recomendações para incorporação de raça, gênero, juventude e condições de trabalho às políticas climáticas e socioambientais.

Houve, também, o detalhamento do projeto “Prosseguir Colmeia: Ações Climáticas pelas Juventudes Negras”, exemplificando o protagonismo de juventudes negras, lideranças territoriais e iniciativas comunitárias no campo da justiça climática.

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“O SENAI já atua com estratégias voltadas à formação de mulheres, de povos originários e de outros grupos da população que estão em busca de oportunidades na educação e no mercado. Temos projetos bem sucedidos em diferentes áreas, o que não impede que consigamos enxergar outras possibilidades, como, por exemplo, ter uma participação mais ativa dos jovens na discussão de possibilidades que lhes tragam novas perspectivas de futuro”, observa a diretora. “Hoje nós ouvimos a indústria, entendemos a necessidade da indústria, que é empregadora potencial das pessoas que passam pelas nossas salas de aula e laboratórios, e precisamos ampliar a escuta de quem está em formação – ou ainda não chegou até ela – sobre suas perspectivas de futuro e oportunidades que podemos oferecer nesse cenário”.

Projetos

Projetos liderados pelo CTGAS-ER têm contribuído para ampliar oportunidades de educação, emprego e autonomia para diferentes populações no Brasil.

Um dos mais recentes, fruto de cooperação firmada com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Instituto Conexão Povos da Floresta (ICPF), prevê a formação de agentes comunitários de energia, na região brasileira denominada Amazônia Legal.
A iniciativa contempla a qualificação de integrantes de comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas para gerir, operar e manter sistemas fotovoltaicos off-grid nos territórios em que vivem – os sistemas que geram energia solar. O objetivo, segundo a Aneel, é garantir a autonomia local e a sustentabilidade das soluções energéticas na região, que, de acordo com o governo federal, corresponde a cerca de 60% do território nacional e engloba os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

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Uma experiência piloto promovida pela Rede Conexão Povos da Floresta entre junho e setembro deste ano, com a participação do CTGAS-ER, precedeu a assinatura do acordo e resultou na qualificação de 26 integrantes de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas para atuação como agentes comunitários de energia.

Esta foi a segunda edição do programa de capacitação e a primeira com o SENAI. “A experiência piloto demonstrou o potencial dessa cooperação e a importância de aproximar a educação profissional das necessidades dos territórios. O acordo consolida essa parceria entre SENAI, ANEEL e Rede Conexão Povos da Floresta e abre caminho para novas ações de qualificação e soluções em energia renovável, ampliando seu alcance para outras comunidades”, frisa a diretora.

Ela ressalta que o conhecimento adquirido ao longo do curso permite que os participantes contribuam para disseminar boas práticas, orientar famílias e comunidades e fortalecer uma cultura de uso seguro e responsável da energia.

No Rio Grande do Norte, entre os projetos executados pelo Centro estão um programa de educação, em parceria com a Vestas, que formou neste ano cerca de 70 profissionais de Eletromecânica em Lagoa Nova – município potiguar a cerca de 200 km de Natal. Como forma de estimular a igualdade de gênero e a participação feminina na educação profissional e em oportunidades de trabalho na indústria eólica – em que homens tradicionalmente predominam – metade das vagas foram destinadas a mulheres. A iniciativa também contemplou a contratação de jovens aprendizes e abriu vagas de emprego, posteriormente, para parte da turma.
Outro projeto que uniu as instituições foi o Keep it Local, realizado em parceria com a EDP Renováveis, quarta maior produtora de energia eólica e solar do mundo. A iniciativa formou 96 pessoas, em 2024, como assistentes operacionais de energia eólica, nos municípios potiguares de Guamaré e Jandaíra. Antes, em 2022, o programa formou 25 pessoas no município de Caiçara do Rio do Vento, em um curso gratuito com mais de 50% do público participante composto por mulheres.

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O principal objetivo, segundo as instituições envolvidas, foi evitar o despovoamento na região e impulsionar a empregabilidade nas zonas rurais, num setor com crescente representatividade no país e cada vez com maior importância na matriz energética brasileira.

Outro exemplo de trabalho desenvolvido foi a “Primeira Escola de Formação para Povos Indígenas”, do Brasil, com foco no setor de energia eólica, lançada em agosto de 2023 com a CPFL Renováveis, do Grupo CPFL Energia. Por meio do projeto, homens e mulheres de três comunidades indígenas, no município de João Câmara (RN), tiveram acesso à qualificação profissional gratuita para exercer atividades no ramo. A formação foi para a ocupação de auxiliar de manutenção eólica, com carga horária distribuída em aproximadamente oito meses de curso, o equivalente a 480 horas.