O diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, apresentou, no VII Encontro Nacional de Jovens Industriais (ENAJI), em Natal, desafios e oportunidades no Brasil com a descarbonização da economia.
“Existe uma oportunidade a ser vista para o desenvolvimento de produtos e processos aqui mesmo, no país, com brasileiros, com tecnologia brasileira, para vendermos ao mundo todo e podermos, a cada dia, nos fortalecer ainda mais no ambiente produtivo”, frisou. Descarbonização é o processo de reduzir, até eliminar, as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, especialmente as de dióxido de carbono (CO₂).
No cenário global, o Brasil, afirmou o diretor, é um exemplo a ser seguido na área. “Todo mundo já ouviu falar de compromissos de nações, de encontros da ONU, de metas de descarbonização A, B ou C. Pois bem, o local onde o mundo quer chegar em 2050 é onde o Brasil está hoje”, ressaltou, enfatizando que as fontes renováveis correspondem a 86,8% da matriz elétrica brasileira, com predominância das fontes hidráulica, eólica e solar, nessa ordem.
O assunto foi discutido durante mesa-redonda no evento, que também contou com a participação do gerente de P&D Energias da Petrobras, Jansen Martins Lopes, e foi mediada pela head do Polo SEBRAE de Energias Renováveis, Lorena Roosevelt.
O ENAJI foi realizado entre os dias 7 e 9 de outubro, no hotel Praiamar Arena, e reuniu mais de 400 empresários, sucessores, gestores e empreendedores industriais de diferentes regiões do país.
Na apresentação “Economia da descarbonização” – Desafios e oportunidades para o Brasil nos horizontes 2030 e 2040, o diretor do SENAI-RN falou sobre políticas que têm orientado a transformação no contexto nacional e de oportunidades, até 2030, que envolvem eficiência e eletrificação, energia e flexibilidade – a exemplo de transmissão, armazenamento de baterias e gestão da demanda que criam mercado para engenharia e serviços – além de bioenergia e produção circular.
Para o horizonte 2040, apontou que aço, cimento e fertilizantes podem ganhar mercados com eletrificação, hidrogênio e captura de carbono seletiva, acrescentou que equipamentos, materiais para baterias, reciclagem e certificação podem ampliar o valor agregado no país e que bioeconomia e restauração também são oportunidades.
Oportunidade
“Energia é o produto mais estratégico da humanidade neste momento e ninguém tem uma matriz elétrica tão boa quanto o Brasil”, disse Mello. “Precisamos enxergar isso não do ponto de vista só de comemorar, mas do ponto de vista de gerar oportunidade de desenvolvimento e de negócio para os senhores e senhoras, desde o parafuso para um caminhão que vai trabalhar nesse setor até uma superempresa de engenharia que vai trabalhar para esse setor. Essa é uma cadeia gigante. Nós temos conhecimento tecnológico, estamos evoluindo e precisamos nos apropriar, cada dia mais, disso como oportunidade de desenvolvimento para o Brasil”, complementou.
Entre as missões do país nesse contexto, ele citou a formação profissional, a ampliação de polos industriais de baixo carbono, o desenvolvimento de fornecedores e de tecnologia nacional, bem como a consolidação das exportações com valor agregado.
Na apresentação “Rotas tecnológicas para a descarbonização”, o gerente de P&D Energias da Petrobras, Jansen Martins Lopes, detalhou investimentos e compromissos da companhia relacionados à descarbonização, destacando a importância da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação nesse processo. “Não existe bala de prata. A gente pesquisa várias fontes”, disse.
ENAJI
Realizado de forma itinerante, o ENAJI já passou por Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Bahia e Goiás. A edição de 2026 foi organizada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), por meio da FIERN Jovem, em parceria com o Fórum Nacional dos Novos Líderes Industriais (FNLI), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) Nacional.
O evento contou com patrocínio do SEBRAE-RN, Banco do Nordeste, Fundação Dom Cabral, Santa Clara Café e Neoenergia Cosern, além do apoio do SESI-RN, SENAI-RN e BYD Carmais.
Texto e foto: Renata Moura
