Search

Sebrae-RN fortalece empreendedorismo e valoriza tradição dos doces do Seridó em Carnaúba dos Dantas

Sebrae-RN fortalece empreendedorismo e valoriza tradição dos doces do Seridó em Carnaúba dos Dantas

Receitas que atravessam gerações, sabores que preservam histórias e conhecimentos transmitidos no ambiente familiar também podem se transformar em oportunidades de negócios. Com essa proposta, o projeto Doces do Seridó – Edição Geoparque movimentou o município de Carnaúba dos Dantas, entre os dias 15 e 17 de outubro, reunindo atividades voltadas à valorização da cultura alimentar e ao fortalecimento da economia local. Parceiro da iniciativa, o Sebrae no Rio Grande do Norte participou da programação com ações de capacitação para estimular o empreendedorismo e ampliar a competitividade dos produtos regionais.

Realizado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e pela Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do RN (FUNCERN), em parceria com o Sebrae-RN e a Prefeitura de Carnaúba dos Dantas, o evento promoveu oficinas, palestras e experiências gastronômicas. O projeto Doces do Seridó também é desenvolvido em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

A contribuição do Sebrae ocorreu em duas atividades no auditório do Centro Pastoral Dom Adelino Dantas. Na quinta-feira (15), o facilitador Delano Dantas apresentou a palestra sobre o programa Contrata+Brasil, plataforma que busca aproximar pequenos negócios de oportunidades de contratação pelo poder público. Já na sexta-feira (16), o facilitador Rafael Gomes conduziu a oficina Design de Rótulos, abordando estratégias para valorizar a apresentação dos produtos e comunicar a identidade regional ao consumidor.

De acordo com o analista técnico do Sebrae-RN, Rodolfo Barreto, a participação da instituição busca conectar os conhecimentos tradicionais às ferramentas necessárias para que os produtores possam conquistar novos mercados. “É um projeto que movimenta essa tradição na cidade e incentiva as novas gerações a também se envolverem. O Sebrae está trazendo qualificação e acesso à informação, especialmente sobre como melhorar os rótulos e a apresentação dos produtos. Isso ajuda a impulsionar as vendas, porque o empreendedor passa a ter um tratamento melhor do que produz e aprende como posicionar sua marca no mercado”, destaca.

LEIA TAMBÉM  Allyson recebe quatro prefeitos em um dia e compartilha experiências de sucesso em Mossoró

Para Rodolfo, a apresentação dos produtos tem papel importante na decisão de compra. Elementos como marca, embalagem, organização das informações e exposição comercial podem contribuir para diferenciar os doces artesanais e ampliar as possibilidades de comercialização.

Durante a oficina de Design de Rótulos, os participantes conheceram a importância da identidade visual para agregar valor aos produtos artesanais. A proposta foi demonstrar como elementos da cultura, da paisagem e das tradições do Seridó podem ser incorporados às embalagens, tornando os produtos mais atrativos e reconhecíveis. Responsável pela capacitação, Rafael Gomes explicou que o rótulo funciona como uma apresentação do produto ao consumidor e pode ser decisivo no momento da escolha.

“O rótulo é o rosto do produto. Quando ele está na gôndola de um supermercado, precisa comunicar de onde veio. Como estamos falando de um produto regional, a ilustração já pode trazer referências da sua origem. Além da qualidade artesanal, essa identidade ajuda a tornar o produto mais competitivo”, explica Rafael Gomes.

Segundo o instrutor, o cuidado com o design deve ir além da estética, contribuindo para construir uma comunicação capaz de diferenciar os produtos também fora do mercado local. “Precisamos levar o Seridó para os rótulos por meio das nossas paisagens, da cultura, da fauna e da flora. Quando uma empresa deseja expandir sua comercialização, essa identidade se transforma em um diferencial. É importante investir em um design qualificado, que consiga comunicar o território e valorizar a origem do produto”, orienta Rafael.

LEIA TAMBÉM  Série dos 80 anos do Senac destaca projeto de alunos do RN voltado aos cuidados para pele com rosácea

Entre as participantes da oficina estava Edneuza Dantas, moradora da comunidade Xique-Xique, na zona rural de Carnaúba dos Dantas. Atuante na associação comunitária e na organização das mulheres da agricultura familiar do município, ela também integra a Casa da Vitória, empreendimento desenvolvido com outras dez mulheres para reunir artesanato, culinária regional, produtos da agricultura familiar e manifestações culturais em um espaço próximo ao Monte do Galo.

Além de participar da capacitação do Sebrae, Edneuza compartilhou seus conhecimentos na oficina de produção do caju-ameixa, realizada na comunidade Ermo. A receita tradicional, pouco produzida atualmente no município, exige um processo artesanal que inclui cerca de 24 horas de cozimento e mais três dias de secagem ao sol.

“É um doce muito antigo, que hoje quase ninguém faz aqui na cidade. Eu cozinho desde os nove anos de idade e agora estamos trazendo essa receita de volta”, relata Edneuza, atualmente com 48 anos. Para ela, o projeto representa uma oportunidade de estimular o interesse pela culinária regional, preservar receitas e incentivar novas possibilidades de geração de renda. “É um incentivo para que as pessoas valorizem nossa culinária, criem novos produtos e também resgatem os antigos. Quando começamos a fazer uma lista, já tínhamos identificado mais de 50 doces da nossa cidade”, conta.

A estudante Melissa Ellen pretende auxiliar a tia na gestão da produção dos doces.

O interesse em preservar esse patrimônio também alcançou as novas gerações. A estudante Melissa Ellen participou da oficina de rótulos e destacou os conhecimentos adquiridos sobre a relação entre imagem, origem e história dos produtos. “Aprendi várias coisas, principalmente como um rótulo pode mostrar onde o produto é fabricado e até contar uma história por trás da imagem. Minha tia produz doces variados e vou levar essas informações para ela também”, afirma Melissa.

LEIA TAMBÉM  Bonner vai romper contrato de R$ 86 milhões com a Globo, diz colunista

Para a gerente de projetos da FUNCERN, Maria Isabel Dantas, o projeto contribui para que produtores e comunidades reconheçam o valor econômico dos conhecimentos que já fazem parte de seu cotidiano. A iniciativa também permite compartilhar saberes antes restritos às cozinhas familiares, estimulando sua continuidade entre as novas gerações.

“Quando as pessoas percebem que aquele conhecimento que dominam é importante e está sendo valorizado, passam a enxergar o produto caseiro também como um produto comercial. É o que chamamos de transformação da cultura em economia. Isso fortalece os produtores e pode trazer impactos para a economia familiar e para o desenvolvimento da região”, avalia a pesquisadora da FUNCERN.

Maria Isabel ressalta que a parceria com o Sebrae é fundamental para aproximar a produção artesanal das exigências e oportunidades do mercado. “O Sebrae traz o conhecimento de empreendedorismo, gestão de negócios e mercado. São informações importantes para uma população que produz bens culturais, mas que muitas vezes encontra dificuldades para expandir sua produção. Esse conhecimento técnico contribui para fortalecer os produtores e ampliar sua competitividade”, enfatiza.