A experiência do SENAI do Rio Grande do Norte na oferta de treinamentos com certificação da Global Wind Organisation (GWO) foi destaque nesta quinta-feira (29) em painel no Brazil Windpower, principal evento do setor eólico no Brasil.
O painel reuniu a diretora do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), do SENAI-RN, Amora Vieira, e o gerente sênior de projetos da GWO, Thomas Redmond, na Arena O&M e Cadeia de Serviços.
A apresentação abordou a qualificação de profissionais com foco em segurança no trabalho em parques eólicos e a estrutura disponível para atender às demandas do mercado, além de perspectivas de cooperação entre as instituições em novos treinamentos.
“A GWO tem o SENAI do Rio Grande do Norte como referência em projetos bem-sucedidos com foco na indústria eólica e nós conseguimos encontrar uma sinergia, um ponto de convergência entre os modelos das duas instituições, para que não houvesse sobreposição entre eles”, disse Vieira.
“O SENAI tem a sua forma de pensar a capacitação profissional e a nossa equipe encontrou um caminho para fazer a convergência entre as normas nacionais e internacionais, de forma a otimizar o tempo de treinamento do profissional da indústria eólica, sem perda de conteúdo ou de capacidade técnica na área de segurança do trabalho”, complementou a diretora.
Uma análise de sombreamento foi realizada para identificar conteúdos semelhantes entre as normas regulamentadoras brasileiras e os padrões internacionais da GWO. O trabalho possibilitou a otimização da oferta dos conteúdos em sala de aula e nos laboratórios. “Encontramos um caminho para otimizar a capacitação, gerar mais eficiência e manter a qualidade da formação dos trabalhadores da atividade”, explicou Vieira.
A análise foi realizada no âmbito do Comitê de Operação e Manutenção, liderado pela Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), com a participação de instituições de ensino e empresas do setor.
A GWO já desenvolveu 17 padrões globais de treinamento, oferecidos por mais de 600 provedores certificados em mais de 50 países. O CTGAS-ER foi o primeiro Centro do SENAI no Brasil a obter certificação da organização.
Principal centro de treinamento do SENAI no país para o setor eólico, a instituição oferece o Basic Safety Training (BST), ou Treinamento Básico de Segurança, da GWO, desde 2021. Também é certificada para a oferta do Basic Technical Training (BTT), treinamento técnico básico para a manutenção segura de turbinas eólicas, e de dois módulos do Service Lift Training Standard (Padrão de Treinamento de Elevador de Serviço, em tradução literal), voltado ao uso seguro, à instalação, à inspeção e ao reparo de elevadores de serviço utilizados nas turbinas.
“Nós começamos esse trabalho há pelo menos cinco anos, de entender a necessidade de infraestrutura, de fazer as contratações necessárias, de capacitar a equipe, e de se projetar como instituição que entrega esse tipo de solução e padrão internacional para o Rio Grande do Norte e o Brasil. Vimos o movimento de indústrias com o pensamento vinculado a padrões internacionais de formação, e temos conseguido entregar a formação profissional com esse padrão”, afirmou Amora.
Novas demandas
Durante o painel, também foram abordadas questões relacionadas ao desenvolvimento de novos padrões internacionais de treinamento, à identificação de demandas e lacunas na formação profissional para o setor e às estratégias para atrair jovens, incluindo aprendizes, para as carreiras técnicas da indústria eólica.
Redmond citou novas soluções em desenvolvimento pela GWO, a partir de demandas de empresas associadas, como Vestas, Siemens e Enercon. “É um projeto que visa aprimorar habilidades mais especializadas e avançadas em elétrica, bem como em trabalhos de alta tensão. As empresas têm dificuldade em obter treinamento nas habilidades técnicas necessárias em diferentes regiões, o que parece ser um desafio global”, disse.
A diretora do CTGAS-ER, por sua vez, ressaltou que a formação profissional exige aproximação com as comunidades e compreensão das características de cada território, considerando a localização dos empreendimentos, oportunidades de emprego e disponibilidade de potenciais alunos.
“O trabalho na indústria eólica encanta. É uma oportunidade que gera muita expectativa e oferece uma remuneração importante no nosso estado, em comparação com outras indústrias. O jovem tem interesse e vontade. O que entendemos, enquanto SENAI, é que precisamos fazer esse contato olho no olho, corpo a corpo, e apresentar ao potencial candidato a oportunidade que está diante dele”, afirmou.
Amora também destacou que a formação oferecida pela instituição combina conhecimentos técnicos, teoria e prática e competências comportamentais. A preparação inclui conteúdos de soft skills, orientações para entrevistas de emprego e uso de redes profissionais on-line, como o LinkedIn, para desenvolvimento da carreira e conexões relacionadas.
O painel “Capacitação e treinamento: fortalecendo a cultura de aprendizado da decisão à execução” também apresentou desafios e oportunidades para a educação profissional com foco no setor eólico e a colaboração entre diferentes atores como chave.
O encontro teve como painelistas Carlos Braguini, superintendente nacional de Educação Profissional e Superior do SENAI, Marco Antonio Juliatto, coordenador -geral de Articulação de Políticas para a Transição Energética do Ministério de Minas e Energia (MME), Maycon de Souza Silva, Head da Vestas Academy LATAM e Thomas Redmond, da GWO, com moderação de Carolina Yukie, analista técnico regulatório sênior da ABEEólica. O Brazil Windpower foi realizado entre os dias 27 e 29 de outubro, em São Paulo.
Sobre a GWO
A Global Wind Organisation (GWO) é uma associação sem fins lucrativos formada e administrada por alguns dos principais fabricantes, proprietários e operadores do setor de energias renováveis do mundo, incluindo empresas com operações ou projetos no Brasil, como Vestas, Engie, Ocean Winds, Qair e Siemens Gamesa.
A organização desenvolve padrões de treinamento voltados ao setor eólico, incluindo o BST e o BTT. Os padrões reúnem objetivos de aprendizagem definidos em consenso pelas empresas-membro e são recomendados para técnicos que atuam nas fases de construção, instalação, operação e manutenção. De acordo com a associação, os provedores de treinamento certificados que atendem aos padrões e requisitos estabelecidos são considerados competentes e qualificados.
Texto: Renata Moura
Fotos: Divulgação ABEEólica
