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FAETI, do SENAI-RN, estuda ampliar inovações no ensino superior com inspiração em modelo alemão

FAETI, do SENAI-RN, estuda ampliar inovações no ensino superior com inspiração em modelo alemão
Missão técnica internacional mostrou frutos do modelo de formação profissional dual do país europeu, como sistema de filtragem de água desenvolvido por estudante de engenharia mecânica

A Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais (FAETI), do SENAI-RN, estuda ampliar inovações que aplica ao ensino superior no Brasil com inspirações que encontrou no “modelo de formação profissional dual” da Alemanha.

A experiência do país europeu em cursos de graduação foi conhecida de perto pela instituição em missão técnica internacional à cidade de Trier, no Estado da Renânia-Palatinado.

A missão foi promovida pela Aliança Brasil-Alemanha para Educação Dual e Inovação (ABA), pelo Departamento Nacional do SENAI e pela EIC Trier, Câmara de Indústria e Comércio de Trier.

Além da troca de conhecimentos entre os dois países e a discussão de novas perspectivas de cooperação técnica, o objetivo foi avaliar como práticas bem-sucedidas no contexto alemão podem ser adaptadas às necessidades das faculdades do SENAI e da indústria brasileira. Foram sete dias de imersão, entre os dias 26 de setembro e 4 de outubro.

Segundo o diretor do SENAI-RN e da FAETI, Rodrigo Mello, a ação está inserida em uma agenda mais ampla de discussões e planejamento nacional do SENAI sobre a educação de nível superior.

“O que está sobre a mesa são novos modelos para o ensino, sempre enxergando as necessidades do ambiente industrial”, diz.  “E, neste momento, o que estamos analisando na rede é a hipótese de ampliar a participação tecnológica, de ampliar a proximidade do parque industrial, num processo de autocrítica permanente de melhorar cada vez mais as entregas na formação de profissionais para a atividade brasileira”.

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Modelo dual

O modelo dual alemão – um dos que são analisados nesse processo –  alia o ensino teórico à experiência prática, tendo a formação do/a estudante compartilhada entre  instituição de ensino e indústria.

A perspectiva é adotada em cursos técnicos e também no ensino superior. Uma experiência que se assemelha, no Brasil, à do Programa de Aprendizagem, que conta com o SENAI entre as instituições formadoras e tem, como foco, jovens de 14 a 24 anos e pessoas com deficiência, sem limite de idade.

No caso da FAETI, observa Mello, o que se busca é subir novos degraus no trabalho de aproximação entre a formação que oferece e demandas reais do setor industrial.

A Faculdade é a primeira do Brasil com foco em energias renováveis e tem, entre os cursos disponíveis, graduações e pós-graduações para formação de profissionais de engenharia e também de especialistas em energia eólica onshore (em terra) e offshore (no mar). 

Delegação do Brasil para conhecer experiência alemã reuniu representantes do SENAI e de empresas de diferentes regiões do país. Do Rio Grande do Norte, participaram a gerente acadêmica da FAETI, Patrícia Mello, e o CEO da empresa potiguar Vipetro, Vilmar Segundo

“A FAETI já foi criada tendo como premissa a maior proximidade dos alunos com o ambiente industrial. O modelo dual é, nesse contexto, um passo além, na busca permanente que temos de valorização do que estamos fazendo”, disse ele.

“Isso, porém, não quer dizer que vamos implantar modelo a, b ou c, mas que estamos sempre analisando práticas que incrementem, que ampliem, que melhorem o que estamos fazendo, considerando as necessidades da indústria e as condições de aplicação, tendo em vista os regulamentos que existem no Brasil e as exigências do Ministério da Educação”.

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Esse não é, entretanto, um processo que, nas palavras dele, “começa, termina e aplica”. “É um processo de análise em que a gente vai avaliar pitadas do que pode se aplicar imediatamente, coisas de médio prazo e coisas de longo prazo, como a criação de cursos ou de outras modalidades de ensino, atividades de extensão e etc”.

Integração

A gerente acadêmica da FAETI e representante da Faculdade na missão à Alemanha, Patrícia Mello, explica que, no caso do modelo alemão, em Trier, três instituições atuam de forma integrada: A IHK (Câmara de Indústria e Comércio) que faz a intermediação entre faculdade e empresa, mapeando necessidades, regulando a qualidade do ensino e realizando as certificações; a indústria, que demanda a formação e participa diretamente dela, por meio de centros didáticos dentro das próprias empresas e de mentores de formação – funcionários da empresa treinados pela IHK em técnicas de ensino – e a instituição de ensino superior, que oferece o embasamento teórico de forma articulada e integrada com a prática fabril.

“Como faculdade, nosso objetivo foi entender se o modelo, de fato, atenderia às demandas da nossa indústria e se temos formas de ‘tropicalizar’ o que é feito por lá para a nossa realidade”, disse a gerente. “Um dos aspectos que mais chamou a atenção durante a missão foi justamente o fato de a formação começar na indústria, e não na faculdade. Isso ajuda a valorizar a carreira industrial porque esses jovens passam por diferentes setores estratégicos das empresas. O resultado é a formação de profissionais altamente qualificados, com alta produtividade e remuneração digna”, detalhou ainda.

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A delegação do Brasil reuniu representantes do SENAI e de empresas de diferentes regiões do país. Do Rio Grande do Norte, participaram a gerente acadêmica da Faculdade e o CEO da empresa potiguar Vipetro, Vilmar Segundo. Também integraram o grupo representantes do SENAI CETIQT, do Rio de Janeiro, do SENAI CIMATEC, da Bahia, e das empresas General Motors, do Rio Grande do Sul; Suzano, de Mato Grosso do Sul; Cedro Têxtil, de Minas Gerais; e Gabitec, de Goiás.

A programação incluiu visitas técnicas à IHK e a indústrias que integram o modelo dual, como a Tesla, com a oportunidade de conhecer frutos do programa. Um deles foi a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso de um aluno dual de Engenharia Mecânica da Zahnen Technik GmbH – empresa de engenharia alemã amplamente reconhecida no setor de tratamento de água. “O aluno desenvolveu um sistema de filtragem de água que, de tão eficiente, está sendo produzido em escala industrial”, disse Patrícia.

A presença de representantes da indústria brasileira na programação, segundo ela, permitirá avaliar, a partir da perspectiva do setor produtivo, se práticas observadas na Alemanha respondem às demandas das empresas brasileiras.

Para Matias Fuchs, administrador de projetos da EIC Trier IHK/HWK, a cooperação entre o Brasil e a Alemanha também cria oportunidades para as empresas alemãs, ao ampliar a oferta de talentos internacionais e de novas possibilidades de parcerias entre os dois mercados.

Por Renata Moura